Por Augusto Mitchell
E a alma do Brasil é o povo.
Não basta observar a superfície de um país marcado por contrastes tão profundos. É preciso enxergar além das estatísticas frias, dos gráficos e dos discursos prontos para compreender o Brasil real: o das desigualdades históricas, das potencialidades desperdiçadas e das pessoas invisibilizadas por um sistema que, por muito tempo, aprendeu a funcionar sem olhar para quem mais precisa.
Quem não enxerga o problema do povo brasileiro não pode falar de política. Porque política não é retórica, é realidade vivida. É o prato vazio, o transporte lotado, a escola que não forma, o hospital que só reage quando a doença já venceu o tempo.
Transformar essa realidade começa por reconhecer quem foi esquecido.
É por isso que defendemos um investimento firme e estruturado nas crianças e adolescentes, com educação de qualidade, formação humana e técnica, e políticas de estágio remunerado a partir dos 16 anos. Educação precisa formar capacidade, senso crítico e autonomia — não apenas diplomas. Sem isso, não há futuro produtivo, apenas reprodução da desigualdade.
Produtividade, aliás, é indispensável. Nenhum país de primeiro mundo se construiu sem produzir mais, melhor e com eficiência. Mas produtividade sem dignidade gera exploração, não progresso. O Brasil precisa de um novo pacto: produzir mais sem destruir direitos, integrando educação, trabalho, tecnologia e indústria em um sistema nacional de produtividade que avalie o sucesso pelo quanto o país é capaz de gerar valor, inovação e bem-estar social.
Nesse caminho, o meio ambiente deixa de ser obstáculo e passa a ser solução. O Brasil detém a maior vantagem ambiental do planeta, mas ainda trata a natureza como entrave ao desenvolvimento. Preservar não significa parar; significa inovar, gerar empregos verdes, fortalecer a economia circular, investir em tecnologia limpa e transformar a proteção ambiental em fonte permanente de renda, desenvolvimento regional e soberania nacional. Cuidar também gera trabalho, renda e futuro.
Na saúde, é urgente mudar o foco. O SUS é uma conquista histórica, mas ainda funciona de forma majoritariamente reativa. Precisamos produzir saúde, não apenas tratar doença. Prevenir é mais barato, mais humano e mais eficiente. Defendemos uma economia do cuidado, com agentes comunitários de saúde mental, educadores de saúde preventiva, cuidadores domiciliares certificados, clínicas populares e telemedicina pública acessível. Isso gera empregos, reduz internações, diminui gastos públicos e devolve dignidade às famílias.
Na economia, é preciso parar de punir quem produz. O Brasil tributa quem trabalha, quem consome e quem empreende, enquanto a riqueza improdutiva segue praticamente intocada. Defendemos uma economia popular e produtiva, com isenção total no primeiro ano para pequenas empresas, estímulo às cooperativas e à economia solidária, redução de impostos para quem gera emprego e reinveste, e acesso ao crédito baseado na realidade do empreendedor — não apenas em scores bancários. País forte confia no pequeno produtor, não apenas no grande capital.
Por fim, o Brasil precisa se posicionar no mundo como potência, não como país submisso. Nossa política internacional deve ser guiada por soberania, cooperação estratégica, comércio justo, defesa ambiental responsável e valorização do trabalho brasileiro. O Brasil tem tamanho, recursos naturais, população e legitimidade para liderar — falta transformar potencial em competência.
Não basta ver.
É preciso enxergar.
E enxergar o Brasil é assumir a responsabilidade de transformá-lo com verdade, coragem e compromisso com quem sempre carregou este país nas costas.
Segurança pública, direitos humanos e a urgência de enxergar o que muitos insistem em não ver
Falar de Brasil sem enfrentar o tema da segurança pública é permanecer na superfície. É ignorar uma das feridas mais profundas da nossa estrutura social. A violência não nasce do nada, tampouco se resolve apenas com repressão. Ela é consequência direta de um Estado que falha em proteger, cuidar, prevenir e, sobretudo, em reconhecer a humanidade de todos os seus cidadãos.
O modelo de segurança pública vigente no Brasil, em especial nas grandes capitais, tem operado por décadas sob uma lógica de exceção permanente. Uma lógica que transforma territórios em campos de guerra, jovens em alvos preferenciais e policiais em instrumentos de um sistema que cobra resultados, mas nega suporte, preparo emocional e controle democrático.
Esse cenário não destrói apenas vidas nas periferias. Ele também adoece os próprios agentes de segurança, expostos diariamente à violência extrema, ao estresse contínuo e à ausência de políticas sérias de cuidado psicológico e institucional. Quando o Estado abandona quem deveria proteger e quem deveria ser protegido, toda a sociedade sangra.
É justamente nesse ponto que se conecta o artigo “Quando o Estado falha, a sociedade sangra!”, publicado no Jusbrasil. Nele, aprofundo uma análise jurídica, social e humana sobre a atuação da Polícia Militar, o estado de exceção permanente, a criminalização seletiva, a letalidade policial e a negligência estrutural com a saúde mental dos próprios policiais. O texto dialoga com dados oficiais, pesquisas acadêmicas e episódios reais que escancaram a falência de um modelo que insiste em produzir morte onde deveria garantir vida.
Mais do que denúncia, o artigo propõe reflexão e responsabilidade. Não se trata de demonizar instituições ou pessoas, mas de afirmar, com coragem, que segurança pública não pode ser sinônimo de extermínio, nem política pública pode se sustentar no medo, na violência seletiva e na ausência de controle.
Enxergar o Brasil real exige enfrentar essas verdades incômodas. Exige romper com discursos simplistas e assumir que não há paz sem justiça, não há ordem sem dignidade e não há segurança sem humanidade — para o povo e para quem veste a farda.
Não existe segurança pública eficiente construída sobre o abandono de quem está na linha de frente. Tampouco é possível falar em ordem, paz social ou justiça quando o próprio Estado trata seus agentes como descartáveis. A violência que atinge a sociedade também atravessa, silenciosamente, a vida dos policiais e de suas famílias.
Ao longo dos anos, o Brasil naturalizou uma contradição perigosa: exige bravura absoluta de seus policiais, mas oferece salários indignos, jornadas extenuantes, equipamentos precários e quase nenhum suporte psicológico. Cobra resultados, mas fecha os olhos para o adoecimento mental, para o alto índice de suicídios, para a desestruturação familiar e para o medo constante que acompanha cada saída de casa.
A atividade policial é, talvez, uma das mais complexas que existem. O policial é chamado a ser agente da lei, socorrista, mediador, conselheiro e, muitas vezes, último recurso em situações extremas. Ainda assim, essa multifuncionalidade raramente se traduz em reconhecimento institucional ou valorização material.
O texto que você acessará a seguir reúne reflexões importantes sobre essa realidade, a partir de dados históricos, análises críticas e relatos que escancaram o preço humano de um modelo de segurança pública falido. Ele dialoga com estudos, como os apresentados pelo Coronel Nilson Giraldi, e com a dura realidade vivida especialmente na Bahia, onde a violência, a precarização e a omissão estatal se combinam de forma trágica.
Trazer esse conteúdo não é um gesto corporativista, tampouco uma defesa cega de instituições. É, antes de tudo, um compromisso com a verdade: não haverá segurança pública justa sem policiais valorizados, bem formados, bem remunerados e emocionalmente assistidos. Um Estado que abandona seus policiais também abandona sua população.
Esse debate se conecta diretamente às propostas que defendemos para um novo modelo de segurança pública — baseado na prevenção, na mediação de conflitos, na valorização profissional e no respeito inegociável à vida. Não se constrói paz com improviso, nem autoridade com negligência.
Ainda não sou candidato oficial. E faço questão de dizer isso logo de início, porque o que me move não é o calendário eleitoral, mas a urgência social. Antes de qualquer disputa, há uma pergunta que precisa ser respondida: para que serve a política hoje no Brasil?
Durante décadas, a política brasileira se acostumou a funcionar como um teatro de promessas. Discursos inflamados durante a campanha, programas de governo genéricos, slogans bem ensaiados — e, passado o pleito, um silêncio quase absoluto sobre o que foi prometido. Não se trata de incapacidade técnica apenas, mas de uma cultura que normalizou a ausência de compromisso.
Decidi entrar no debate público antes de qualquer registro eleitoral justamente para romper com essa lógica. Apresentei propostas, projetos de lei e compromissos concretos porque acredito que o eleitor merece mais do que frases de efeito. Merece clareza, planejamento e, sobretudo, a possibilidade de cobrar.
Tenho plena consciência de que esse caminho não é confortável. A política brasileira não costuma acolher bem quem detalha demais, quem assume percentuais, quem propõe responsabilização ou quem se dispõe a ser avaliado pelo que diz. Transparência, aqui, ainda é vista como risco — não como virtude.
Também não ignoro o cansaço da população. O eleitor brasileiro está exausto de promessas esquecidas, de discursos que não chegam à realidade e de governos que falam muito e entregam pouco. Esse desgaste não é fruto de desinteresse popular, mas de sucessivas frustrações.
Minha posição nasce da experiência pessoal e coletiva. Conheci de perto a ausência do Estado, a fome, a desigualdade, o preconceito e os efeitos reais de políticas públicas mal desenhadas. Sei que promessas vazias não apenas enganam — elas produzem descrédito, apatia e afastamento da vida democrática.
Ao apresentar projetos antes de ocupar qualquer cargo, assumo também os riscos. Sei que boas ideias, sozinhas, não mudam estruturas. Sei que interesses econômicos e políticos organizados resistem a qualquer tentativa de responsabilização. Sei que o sistema foi moldado para sobreviver mesmo quando falha.
Ainda assim, acredito que a política só pode ser reconstruída se alguém aceitar pagar o preço de levá-la a sério. Isso significa falar menos slogans e mais conteúdo. Significa dizer o que se pretende fazer, como será feito e quais interesses serão enfrentados. Significa admitir limites e aceitar ser cobrado.
Não me coloco como salvador, nem como exceção moral. Me coloco como alguém disposto a tratar a palavra pública como compromisso, não como ferramenta descartável. Se a política é a arte do possível, ela precisa, antes, respeitar o necessário: a dignidade das pessoas, a verdade no discurso e a responsabilidade com quem confia.
Talvez esse caminho não leve ao poder. Talvez gere resistência, isolamento ou derrota. Mas a política brasileira não se transformará pela repetição do que já fracassou. Ela só muda quando alguém aceita começar antes da eleição — e responder depois dela.
Porque, no fim, a política não começa na urna.
Ela começa na coragem de dizer a verdade, mesmo quando isso tem custo.
Por Augusto Mitchell
Vejo mundos utópicos de rara beleza,
Não em sonhos, mas na certeza.
Isto é verdade.
Vejo mundos separados por grandes fortalezas,
De belezas profundamente desiguais;
Às vezes tão próximos que se ferem,
E se ferem justamente por estarem distantes.
Triste realidade.
Vejo vermes vestindo cetim fino,
Sob o nobre chão espelhado de mármores brancos,
Encerados com o suor de um povo desventuroso.
Que vergonha.
Vejo oceanos de incertezas e fortes correntezas;
Há quem enfrente a maré e jamais retorne.
Muito já ouvi falar.
Vejo portas de palácios arrombadas por centenas de vozes,
Muralhas despedaçadas em milhares de fragmentos democráticos;
Rostos aterrorizados atrás de cortinas de fumaça,
Cinza — fumaça de vergonha.
Maculada, a Constituição Federal agoniza.
Cobra-se tudo, menos suas verdades.
Os ventos que outrora eram bons, hoje já não sei se existem,
Pois tudo está manchado em sua gente,
Com requintes de crueldade,
Marcas de uma realidade forjada.
Vejo um povo dividido:
Alma separada do corpo, corpo apartado da alma.
Quem é quem?
Quem está com a verdade?
Que gente esquisita:
Prende-se o suposto ladrão, solta-se o latrocida.
Vejo o político correndo com a mala na mão.
“Calma! Segura o negro, que é ladrão!”
Não era negro?
É armação!
Hipocrisia de uma nação.
Vejo mofinos moribundos,
Desacordados, amontoados, sem “amanhãs”.
Vejo bandeiras tiritantes, paradoxais,
Empunhadas por mãos indignas,
Sem o penhor da igualdade.
País rico.
Terra fértil.
Cresce, desaparece.
Ostracismo sem igual.
Vejo o circo nas esquinas,
Enfeiando e extinguindo, pouco a pouco, sua alegria;
Vejo farrapos de gente nas vias, vielas e favelas
De portas sem tramelas —
E isso eu também fui.
Ainda assim, insisto em acreditar
Que um dia chegarei ao seio do teu paraíso,
Ó pátria amada.
Eis que surge, erguendo-se na linha tênue do horizonte,
Um novo sol,
Cor de ouro,
Tesouro do amanhã.
Vejo, de novo, o que antes não via.
Haja sangue.
Haja vida.
Renasce a esperança.
Construirei minha embarcação
Com miúdos de esperança
E um casco de sofreguidão.
Minha vela será minha alma verde e amarela.
Caminhando e cantando? Talvez.
Sempre sonhando — disso eu sei.
Mas jamais irei embora,
Porque aqui hei de morrer.
Verás que um filho teu não foge à luta.
Em vida, vou velando meu sofrimento
E o de tantos outros teus,
Sobreviventes de naufrágios de um passado
Nem tão distante assim.
Sem certezas concretas de um novo amanhã,
E apesar de tudo,
Esbanjo sorrisos de felicidade.
Caminho por campos ainda verdejantes,
Bosques sem vidas,
Vidas sem amores,
Céus sem cantores.
Mas jamais estarás sozinha, ó Mãe gentil.
Tua gente — heroica, plácida, porém guerreira —
Contemplará teu lábaro perfeito
Até o fim.
PROPRIEDADE INTELECTUAL PROTEGIDA
Todo o conteúdo deste documento, incluindo propostas de programas sociais e projetos de lei de autoria de Augusto Mitchell Carvalho Araújo, encontra-se devidamente registrado perante a Biblioteca Nacional do Governo Brasileiro sob o processo nº 000984.0420009/2026. A reprodução, cópia, adaptação ou apropriação indevida sem a citação expressa do autor caracteriza violação de direitos autorais, sujeitando o infrator às sanções civis e penais previstas na Lei nº 9.610/98.
PROMESSA FEITA É COMPROMISSO DE LEI!
MENTIU NA CAMPANHA E NÃO CUMPRIU O QUE PROMETEU?
VAI PARAR NA JUSTIÇA E NO NOTICIÁRIO COMO POLÍTICO FICHA SUJA!
Durante décadas, o eleitor brasileiro foi tratado como espectador de promessas vazias.
Este Projeto de Lei nasce para mudar essa lógica para que, quem se candidatar, assumir compromissos reais, mensuráveis e públicos — e responder por eles ao final do mandato.
Governar é ter...
Dignidade, Verdade e Produtividade a toda prova para Reconstruir a nação

"O sucesso só tem gosto de vitória se tiver como base a honradez. Ao contrário disso, e por mais terrível que seja, o fracasso será sempre mais honesto e honroso."
Augusto Mitchell
