THE TEAM

Augusto Mitchell

Foi repórter, âncora de telejornal e Direitor de Jornalismo

TV SOTEROPOLITANA

Augusto Mitchell foi o idealizador da TV Soteropolitana, canal 13 de Salvador.

Nasci no verão de 1975, no Rio de Janeiro. Sou o filho de número 7 de um casal de nordestinos que fugiu de suas raízes por dois motivos: o primeiro e o mais nobre deles, o amor. Por amor — e por política.

Sou filho de José Augusto Carvalho de Araújo, militante político perseguido pela ditadura militar instaurada em 1964, preso e torturado pelo DOPS, e de Maria Neide Carneiro de Araújo, mulher nordestina, cigana, criada na roça, herdeira de uma cultura ancestral marcada pela liberdade, pela oralidade, pela resistência e também pela discriminação histórica. Ser filho de uma mulher cigana nunca foi detalhe: é parte central da minha identidade e do meu compromisso com justiça social, inclusão e reparação histórica.

Meu pai nasceu carregando uma dor que não caberia em criança alguma. Ele foi rechaçado pelo próprio pai desde novinho porque seu genitor acreditava que o nascimento dele teria sido o motivo da morte de sua esposa, por complicações no pós-parto. Nascer já sem mãe e ainda ser rejeitado pelo pai… que destino. O nome do meu avô era Joaquim Bahia, jornalista, dono do jornal Imparcial. Mais tarde, essa rejeição ganharia outras camadas: além da história familiar, havia a política. Meu pai tornou-se militante de esquerda — e isso, para o dono de um jornal, “prejudicaria a imagem” do veículo. Era como se meu pai precisasse pagar duas vezes: pela tragédia do nascimento e pela coragem das ideias.

Por isso, meu pai foi criado por um tio paterno, José Maria, casado com dona Nôemia. Ele chamava o tio de Zé, mas muitas vezes eu o vi chamando de pai — porque Zé Maria o adotou quando Joaquim Bahia o rejeitou. Essa adoção não foi só papel: foi afeto e sobrevivência.

Apesar de ter nascido em uma família rica e tradicional da alta sociedade baiana, meu pai se envolveu cedo com política local e chegou a pleitear por duas vezes a vereança em Salvador. Funcionário da Petrobras, ele foi escolhido “a dedo” pelos colegas para discursar — pela oratória, pelo vocabulário e pela paixão com que defendia a causa. E foi num discurso, no município de Candeias, interior da Bahia, que ele conheceu minha mãe.

Sabe-se lá Deus o que minha mãe foi fazer naquela cidade, naquele dia e naquela hora. Hoje, infelizmente, eu não consigo mais colher dela as memórias que eu queria, ela nos deixou em 14 de Julho de 2025, mas antes havia uma distância enorme no olhar da minha velha guerreira. Um olhar vazio, inexpressivo, deslocado da realidade — como se ela estivesse aqui por obrigação. O arquivo de vida, o confidencial, parece guardado em criptografia inviolável. Desde agosto de 2016, após um internamento no Hospital Português, em Salvador, por infecção respiratória que — segundo os médicos — pela falta de oxigenação antecipou o Alzheimer, a doença se instaurou de forma imediata, trazendo também a demência de Lewy e a perda progressiva da função mental.

A FLOR DO MATO

Eu gosto de pensar que foi uma força maior — o destino — que tirou minha mãe dos afazeres na fazenda de seu pai, em Conceição do Coité, região do sisal, para ir, sem saber, ao encontro do homem que mudaria sua vida para sempre. Eu confesso: escrevo isso com a pele arrepiada. Eu me encanto com a forma como o universo conspira para que aquilo que precisa acontecer… aconteça. Às vezes dá voltas imensas, mas acontece. O universo é Deus — e como já cantaram Rita Lee e Arnaldo Jabor, “o amor é divino”.

Naquele dia, caía uma fina chuva. Mesmo assim, a manhã estava movimentada: carros, cavalos, gente por todo lado, e um palanque no centro, onde meu pai esbravejava com veemência suas ideias, suas opiniões e suas paixões. Era o jeito dele: quando queria, não escondia. Tentava, mas nunca soube disfarçar o que sentia. Os olhos o denunciavam.

Minha mãe, matuta, filha de ciganos que viviam no mato, e curiosa como sempre, se aproximou do palanque e ficou encantada com as palavras febris que meu pai largava no ar. Congelada no tempo, talvez hipnotizada, nem percebeu que quase uma hora havia passado. E quando ela deu o menor sinal de que iria embora, meu pai interrompeu a narrativa, passou o microfone ao colega no susto e desceu pela frente do palanque, ignorando a altura. Foi apoiado pelo público — que nem entendia o motivo da pressa — e ficou livre para ir em direção ao ponto fixo do olhar durante todo o discurso: minha mãe.

Ele se exibia para ela com vírgulas, pontos e exclamações. Não havia interrogações. Nem nas ideias, nem na caçada que começava ali.

Desesperado, ele desviava das pessoas que vinham cumprimentá-lo. Minha mãe já distanciava a cada passo, e ele não escondia o medo de perdê-la para sempre. Dizia que não seria capaz de viver com essa ideia. Depois disso, conversávamos muito. Horas e horas, de tudo — menos do amor que sentíamos um pelo outro.

Ele foi à fazenda do meu avô materno pedir a mão da donzela. Eu não sei o que houve para a família de minha mãe ter dito não. Mas sei o que houve do lado de lá: a alta sociedade era avessa a ter uma mulher cigana e da roça na mesa “refinada”. E meu pai foi colocado diante da escolha: herança ou amor? Se eu rio ou choro, às vezes eu não sei. Talvez os dois. Mas o que eu sei é: se eu estou aqui contando, é porque o amor venceu preconceito e barreiras.

A FUGA

Aproveitando o período de 1964, quando meu pai precisou “fugir”, fugiram os dois: meu pai e minha mãe. Foram tempos difíceis. Meu pai levou apenas o conhecimento e a sabedoria do bem e para o bem. Minha mãe, numa família de 13 irmãos, largou ainda mais. Ela vivia de forma simples, como o nome do batismo: Maria. Mas havia carinho, ética e educação. Meus avós maternos, descendentes de índios e ciganos, deram o suficiente: atenção, amor e conduta. Tenho orgulho dessa família e sinto muito por não ter no meu nome o sobrenome “Carneiro”.

Fugindo do DOPS, meu pai engoliu o orgulho e, numa tentativa de aproximação — eu disse aproximação, não reaproximação — bateu na porta do meu avô Joaquim Bahia, em Volta Redonda. Jornalista, dono do Imparcial. Ele não recebeu a família por dois motivos: não queria “esquerdistas opositores” e, além disso, não reconhecia meu pai como filho. Naquele dia, meu pai e minha mãe dormiram ao relento com minhas irmãs. Volta Redonda é fria à noite. Eu nem era nascido, mas meu pai me contou a retalhos — o que ele achava menos doloroso. Talvez por vergonha, talvez para me poupar.

Vivendo nas ruas, pedindo esmolas, meu pai criou coragem e foi ao jornal O Globo pedir emprego. Ao entrar na redação: gargalhadas. Ele vestia roupas doadas e parecia um palhaço de circo: calça vermelha, paletó amarelo, gravata cor de abóbora, tudo amarrotado, cabelo esvoaçado por vento e chuva. Ninguém levava fé. Mas ele voltou. Dias seguidos.

Para se livrar dele, deram um teste: redigir um texto e copiar outro numa velha Olivetti. E aí pararam de rir. Meu pai era um fenômeno na datilografia e escrevia muito bem. Foi contratado — como diagramador — com salário miserável.

Anos depois, já comigo em cena, lembro pedaços do Rio: a vitrola no alto da estante, os LPs, o cheiro das capas. Alcione, Benito di Paula… e lembro meu pai com uma camisa vermelha com âncora preta, calça caqui, agachado no quintal chorando ao som do recém comprado LP de Gilberto Gil. Ironicamente, o refrão pedia: “Oh não chore mais!”, versão de “Woman no cry”. Nunca soube o que motivou aquele choro — e nunca mais vi igual.

No final do governo Médici, o DOPS começou a rondar a casa e a porta do jornal. Meu pai percebia: quando saía, dava voltas nos quarteirões para ver se era seguro voltar.

Antes do regresso à Bahia, vi nossa casa desmoronar: tudo quebrado, móveis e roupas pelo chão, discos espalhados. Minha mãe chorava — agora pela ausência do meu pai. Só adulto entendi: naquele dia ele havia sido preso e torturado pelo DOPS. Minha mãe vendeu LPs, roupas, móveis — a casa inteira.

Mudamos para a Baixada Fluminense, numa casa às margens de uma vala fedorenta por onde passava esgoto. Minha mãe lavava roupa para fora, fazia diária; meu pai trabalhava numa fábrica de café. Enquanto trabalhavam, comíamos o que sobrava na casa de vizinhos — luxo, naquela realidade. Durou pouco: meu pai foi descoberto de novo. Decidiu fugir de volta para Salvador. A dificuldade foi tanta que meus pais deixaram minhas irmãs mais velhas com minhas tias em São Paulo. Eu me lembro de estar num ônibus Mercedes da Itapemirim com meu pai, minha mãe e duas irmãs.

A VIAGEM, A CASA, O VIADUTO

Chegamos a Salvador por volta de 1979. Ficamos alguns meses na casa de Zé Maria e dona Nôemia, mas tivemos que sair: meus irmãos mais velhos, Joca e Nomar, não reconheciam meus pais como pais — sentiram a dor do abandono. Para evitar conflitos, meu pai saiu. E voltamos a vagar.

Foi debaixo do viaduto da Federação, perto da TV Itapoan, que ficávamos mais tempo. Era perto do terreiro do Gantois. Meu pai me contava que, quando menino, era levado à casa de Mãe Menininha do Gantois — Ilê Iaomim Axé Iamassê — e que ela, por laços com dona Nôêmia, ajudou na criação dele. Meu pai estudou no Antônio Vieira, passou em concurso da Petrobras e foi para Mataripe. Mas a vida não é linha reta.

Naquela época, ele nunca contou a Mãe Menininha que morava na rua, mas às vezes ia buscar alimento por lá. Foi ali, aos pés da torre da TV Itapoan, que eu comecei a tomar ciência de quem eu era.

Eu matava a fome com o que achava — inclusive trabalhos de macumba deixados na região. E foi quando aconteceu o episódio do pão: vi uma mesa farta por uma janela e peguei uma vara. Saí correndo, comendo pedaços no caminho. Cheguei no viaduto e entreguei o pão para minha mãe repartir. “Herói”, eu achava. Minha mãe perguntou de onde veio. Sem resposta, ela me levou de volta puxando minha orelha. Na casa, gritou: “Ô de casa!”. A senhora apareceu. Minha mãe perguntou se ela tinha dado o pão. Não. Então minha mãe disse: “Meu filho pegou. Eu vim devolver”. Os indícios contra mim estavam até na marca do meu pé sujo na parede. Eu devolvi, mesmo com fome, mesmo humilhado. A senhora não queria aceitar de volta. Mas aceitou — e passou, desde então, a deixar sacos de pão perto do viaduto.

Minha irmã pedia esmola e, certa vez, na porta da FM Itapoan, foi ajudada por Raimundo Varela. Depois disso, ele mandava mantimentos e algum dinheiro. Ele nunca soube que ali havia um perseguido político. Eu e minha família somos gratos a ele.

Quando Zé Maria soube da nossa condição, foi lá e perguntou o que queríamos para sair daquela situação. Meu pai fez um pedido: uma máquina de escrever e papel. Zé Maria riu: “Pra que você quer uma máquina de escrever debaixo de viaduto?”. Meu pai respondeu: “Para escrever poesias”. O velho riu mais e prometeu. No dia seguinte trouxe — sem saber que ali começava a virada.

Com a máquina, meu pai escreveu ao ministro do Trabalho, Murilo Macedo, pedindo anistia e reingresso à Petrobras. E não parou: mais cartas, mais cartas. Zé Maria passava e perguntava: “Como vão as poesias?”. Meu pai dizia: “Estou sem inspiração”.

Tempos depois, Zé Maria alugou uma casa simples na Federação para nós. Minha mãe engravidou da caçula, Neide. A casa era colada com a sede da TV Itapoan. A gente tinha teto — mas ainda não tinha comida. Eu raspei parede para comer pó, de tanta fome.

No início dos anos 80, eu brincava com caixas de fitas de vídeo e restos de cenários descartados pela TV. Eu fuçava o lixo da emissora, fascinado por aquele mundo: gente bonita e sorridente entrando e saindo. Era chantili em prato vazio, porque eu e minhas irmãs ainda peregrinávamos por comida enquanto meu pai enviava cartas.

Num desses dias, entramos numa igreja na Garibaldi para pedir alimentos e eu ouvi um piano. Ali me apaixonei pelo instrumento. Coloquei as mãos sujas no teclado brancacento e nunca esqueci. Voltei várias vezes só para ver o piano. Um dia ouvi “The Winner Takes It All”, do ABBA. Eu chorava sem saber por quê. Uma moça me viu, parou, me pegou pela mão, me colocou no colo e tocou para mim, com carinho, queixo sobre minha cabeça. A cena mora em mim. Era 1982.

Foi nessa época que veio o milagre: as cartas atingiram o alvo. Meu pai recebeu a notícia: além da anistia política, veio a indenização pelos 20 anos afastados e a aposentadoria vitalícia. E mais: o presidente João Baptista Figueiredo escreveu, de próprio punho, um ofício elogiando as cartas de José Augusto. Quem trouxe o documento foi Zé Maria, porque meu pai usava o endereço dele como remetente.

A GUINADA, AS CICATRIZES, AS PERDAS

A vida melhorou. Meu pai comprou quatro apartamentos e um Volkswagen Santana CD 84/85 — o melhor carro dos anos 80. Foi resposta à humilhação de um primo: quando meu pai morava no viaduto, pediu carona e ouviu que não iam “sujar o estofado do Chevette” com “mendigo fedorento”. Quando recebeu a indenização, comprou o melhor carro.

Mas a tortura psicológica não some com dinheiro. Meu pai tentou reunir todos os filhos na mesa farta, mas não teve sucesso. Um de meus irmãos, José Augusto Filho, envolveu-se com drogas e morreu atropelado em Amaralina. Minha irmã Nomar, que ainda chegou a morar conosco em 1987, faleceu em 2019 por problemas respiratórios.

Meu pai candidatou-se a vereador em 1988 e não se elegeu porque os votos foram para um homônimo, Zé Augusto. Aquilo o martirizou. Entrou em depressão. Depois veio o câncer de pulmão. Ele lutou anos, mas perdeu. Faleceu em 24 de fevereiro de 2001, num sábado de Carnaval. O carro funerário passou no meio do bloco de Ricardo Chaves e o artista parou, pediu silêncio. Ironia: meu pai não gostava dele e, em carnavais anteriores, fazia sinais negativos do chão para o trio. Mas naquele dia, o silêncio foi respeito.

O fato é que, depois da prisão e tortura, meu pai passou a viver tomado pelo medo. Evitava sair. Isso prejudicou a saúde: exames de rotina poderiam ter diagnosticado antes a doença que tomou seus pulmões e o lado direito do corpo. Eu lembro dele pelas músicas que ouvíamos juntos — e por uma canção do seu xará, José Augusto, em que ele se rendia à emoção.

EU, A LEITURA, O TRABALHO, A ESCOLHA

Eu só comecei a ser alfabetizado em 1984 e, naquele mesmo ano, aos 9 anos, aprendi a ler. Eu me viciei em literatura: devorava dois livros por semana, principalmente Monteiro Lobato, doados por um inquilino do meu pai, Paulo Valadares. Eu só recebia mesada se entregasse ao meu pai o resumo pronto dos livros.

Dos 17 para 18 anos, saí de casa e fui morar sozinho porque eu não aceitava episódios de violência que via em casa. Parecia que meu pai se tornava outra pessoa quando consumia álcool — arredio com minha mãe. Eu não romantizo isso: eu conto como é. Porque a verdade também educa. E porque eu aprendi cedo que ninguém é santo o tempo todo. Somos humanos. Imperfeitos.

Fiz curso de elétrica e eletrônica e comecei a prestar manutenção em galpões na Cidade Baixa. Em 1994 trabalhei como técnico de informática e analista de sistemas. Em 1995, aos 20 anos, fundei um guia comercial chamado “Revista Bahia Acontece”, que no início buscava angariar fundos para ajudar moradores de rua e também para cobrir despesas pessoais. Por um tempo, deu certo. Eu quis realizar o sonho do meu pai, que planejava criar uma ONG para ajudar pessoas em vulnerabilidade social.

Após a morte dele, fui analista de conflito na Oi, tornei-me mediador de conflitos diante de demandas na Anatel e no Procon. Curse i jornalismo, fui repórter, âncora e diretor de jornalismo em Santa Catarina, São Paulo e Bahia. Nesse meio tempo, fui proprietário da revista impressa e do site de notícias “Revista Bahia Acontece”.

Em 2016 fundei a TV Soteropolitana, que entrou no ar no canal 13 das operadoras de TV a cabo. Em 2017, tornou-se TV Salvador, saindo do ar em junho de 2018 por falta de recursos — por eu não me render ao poderio político da região. No mesmo período, ingressei no curso de piloto de avião e deixei a aviação em 2020 por causa da pandemia de Covid-19.

Hoje sou bacharel em Direito, com pós-graduação em andamento em Direito Público (Constitucional, Administrativo e Tributário), MBA em Direitos Humanos, Inclusão e Arte, tecnólogo em Gestão e Segurança Pública com MBA em Prevenção e Gerenciamento de Crises e graduação em andamento em Sociologia.

Estou à frente da ONG Projeto C.H.A.V.I – Centro Humanitário de Amor à Vida, que arrecada donativos e leva, além de alimentos, roupas e brinquedos, apoio psicoemocional para pessoas em situação de rua. A ONG também atua na proteção ao meio ambiente e no cuidado com animais abandonados.

O BAÚ PERDIDO

Meus pais estiveram juntos até quando Deus quis. Após a partida do meu pai, minha mãe viveu ainda alguns anos com consciência plena, mas não escondia a dor da saudade. Depois, abrigou-se dentro de si. Ela se foi em 14 de julho de 2025. Foi sim uma linda história de amor — ainda que, em alguns momentos, eu tenha visto que meu pai errava na dose, tinha ciúme e isso nem sempre é bom. Mas quem é capaz de entender todas as formas de amar e a sua dose perfeita? Eu, não. Sou humano. Imperfeito. Não sou Deus.

E é justamente por não ser Deus — por ser humano, por ter vivido a fome, a rua, a perseguição política, o preconceito étnico e as contradições dentro de casa — que eu acredito na política como instrumento de reparação e justiça.


Minha história não é de gabinete. É de rua, de luta e de reconstrução. Não sou um político "criado em labortatório" e nem herdei reinados. Sou político pela força e vontade de mudar a realidade do povo oprimido e injustiçado que, assim como eu, luta para sobreviver com honra e difnidade. E é por isso que sigo: para que o Estado sirva ao povo, proteja os vulneráveis, reconheça identidades e não abandone ninguém.

POR QUE ENTREI PARA A POLÍTICA?

Depois de tudo o que vivi, eu entendi que a política nunca foi uma escolha distante da minha vida — ela sempre esteve presente, mesmo quando o Estado se ausentou. A perseguição política sofrida por meu pai, a fome, o medo, as ruas, a exclusão, a dor de ver direitos negados e a luta diária para sobreviver me ensinaram, muito cedo, que a política pode salvar vidas, mas também pode abandoná-las quando se transforma em privilégio de poucos.

Entrei na política porque conheço o peso da ausência do Estado e sei o quanto uma política pública bem construída muda destinos. Entrei para transformar sofrimento em proposta, memória em ação e experiência em leis que protejam pessoas reais. Cada projeto que construo nasce da vida vivida: da defesa dos direitos humanos, do combate a toda forma de preconceito, da inclusão dos povos tradicionais, especialmente do povo cigano, da educação como caminho de libertação, da cultura e da arte como instrumentos de dignidade, da segurança cidadã baseada na prevenção, no diálogo e na mediação de conflitos, da saúde mental como política pública essencial, da proteção das crianças e dos jovens, da mobilidade urbana e do transporte digno, da valorização do trabalhador, da economia popular, da defesa do meio ambiente, do cuidado com os animais, da transparência na gestão pública e da presença real do Estado onde ele sempre falhou.

Entrei na política porque não aceito que histórias como a da minha família se repitam. Porque acredito que ninguém deve passar fome, ser perseguido por pensar diferente ou ser invisível por nascer pobre, cigano, nordestino ou fora dos círculos de poder. Entrei na política para dar voz a quem nunca foi ouvido, para legislar com coragem, empatia e responsabilidade, e para provar que é possível fazer política com humanidade, verdade e compromisso com o povo.


Digo isso porque me vejo indignado, pois é inaceitável que, em pleno ano de 2025, ainda existam brasileiros e brasileiras submetidos à escassez de recursos básicos, à fome, à precariedade de um sistema de saúde que deveria cuidar com dignidade, e a uma educação que, quando transformadora, é capaz de romper ciclos históricos de exclusão, mas que hoje ainda falha com milhões de pessoas que perecem sem expectativas, descrentes do próprio país; pessoas que, ontem, migravam do Nordeste para o Centro-Sul em busca de oportunidades mínimas de sobrevivência e que, hoje, são obrigadas a deixar o Brasil para viver em terras desconhecidas, arriscando tudo atrás de um sonho de estabilidade e tranquilidade que deveria ser possível aqui; porque não há país como o nosso — somos privilegiados por uma natureza abundante, por riquezas imensuráveis e por um povo plácido, mas profundamente guerreiro — e é justamente por isso que precisamos nos unir para construir um Brasil verdadeiramente de todos, com leis mais justas e efetivamente aplicáveis, onde a estabilidade, a ascensão social, a saúde e a educação deixem de ser apenas discursos eleitorais explorados por políticos que se alimentam da fragilidade do povo para chegar no poder; chega de sonhar sem agir, chega de desistir, chega de migrar — é aqui, no Brasil, que devemos lutar até o fim.

PROMESSA FEITA É COMPROMISSO DE LEI!

MENTIU NA CAMPANHA E NÃO CUMPRIU O QUE PROMETEU?

VAI PARAR NA JUSTIÇA E NO NOTICIÁRIO COMO POLÍTICO FICHA SUJA!

Durante décadas, o eleitor brasileiro foi tratado como espectador de promessas vazias.

Este Projeto de Lei nasce para mudar essa lógica para que, quem se candidatar, assumir compromissos reais, mensuráveis e públicos — e responder por eles ao final do mandato.


Governar é ter...

Dignidade, Verdade e Produtividade a toda prova para Reconstruir a nação

"O sucesso só tem gosto de vitória se tiver como base a honradez. Ao contrário disso, e por mais terrível que seja, o fracasso será sempre mais honesto e honroso."


Augusto Mitchell